Na pista do SMU, em direção ao camping/autódromo. Bem no finzinho, a faixa da esquerda acaba, afunilando antes da rotatória. Percebo o Corolla preto vindo atrás de mim, em velocidade bem mais alta. Imediatamente antes do afunilamento o Corolla joga para a pista da direita, passa por cima da obstrução (aquelas tartaruguinhas no asfalto), e joga pra cima de mim, sem qualquer sinalização, do jeito que veio. Graças às infinitas siglas que cercam o sistema de freios do meu carro, consigo evitar a colisão. Na fila para acessar a rotatória, uns 30 metros à frente, paro ao lado do Corolla, conduzido por uma fina dama. Ela olha na minha direção e eu aponto para o retrovisor, como quem sugere que seria um equipamento útil a ser considerado no tipo de manobra que ela acabara de fazer. A fina dama passa a vociferar uma infinidade de impropérios, com um vocabulário que faria corar a turma de qualquer torcida organizada do Brasil, além de brandir violentamente os punhos nos gestos mais obscenos. Ainda não eram 9 da manhã.
Fiquei pensando o que teria levado a fina dama a tal estado de descontrole emocional tão cedo no dia. Poderiam ser as horas perdidas alisando e descolorindo os cabelos para manter aquela aparência chique-pausteurizada. Poderia ser o fato de estar acima do peso, e portar um papo que mais lembrava uma ave marinha na época de acasalamento.
Fosse o que fosse, não era culpa minha.
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